Quanto mais vejo pessoas boas, amáveis, felizes, morrendo cedo de forma cruel pela violência, ou por doenças incuráveis, mais a idéia de que realmente vivemos no inferno se reforça na minha cabeça.
Sim, aqui é o inferno e vivemos nele.
A covardia, a inveja, e a crueldade fazem parte do nosso dia-a-dia, onde a honestidade e o respeito, que um dia foram obrigações na vida de uma pessoa, hoje pode ser motivo de espanto, dependendo do caso.
“Nossa, você viu que fulano achou dinheiro na rua e devolveu? Imagina se eu devolveria…!”
Vivemos livres, dentro de nossas casas bem trancadas e carros com alarme. Trabalhe muito se você quiser ter água, comida, e um lugar para morar. E se você batalhar muito e conseguir ter dinheiro, cuidado, podem tomá-lo. E te matar para tomar o que é seu.
E, assim, uma vida se vai.
Uma vez alguém disse que, quando se mata uma pessoa, você não apenas acaba com a vida dela: você tira a oportunidade dela existir, ser e conquistar muitas coisas no caminho.
Se isso não é inferno, eu sinceramente não sei o que é.

Realmente viver é perigoso… é tanta maldade, tanta tragédia que fica díficil ter uma boa perspectiva de vida e de futuro.
O seu texto me fez lembrar outro que diz:
“DESPERTAR É PRECISO
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da gargan…ta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
Vladimir Maiakóvski”